nunca

o ar esteve

tão árido

nunca

tão raro

.

na tv

tramas geométricas

de covas recém abertas

cobrem toda a tela

a arte pop

dos nossos tempos

infernais

.

nunca

estivemos tão

sós e miseráveis tão

ao rés do chão

sonho que não

sei mais sonhar

dura uma eternidade

esse momento

nessa cela

as estrelas são tristes

borrões de tinta

sem brilho

sobre o chapisco

.

minha vingança

virá sem gozo

um passeio entre as ruínas

de um shopping-center

sentindo a raiva

que eu não queria

que não me pertence

.

quando o sol

chegar abrindo

a barriga da manhã

com a lâmina dos seus raios

embolado na beleza

tornada possível

acharemos o medo

de tudo

de horrível

de que ainda seremos

capazes.


Apesar do número enorme de pessoas que, com a absolvição de Lula, se apavoram com a possibilidade da “volta do comunismo”, como o Samuel Borges (@SamuelSilvaFB) lembrou no Twitter, o governo Lula não chegou nem a ser social-democrata. Ficou mais próximo de um liberalismo social.

E é fácil provar. Lula nunca bateu de frente nem com os bancos nem com o agronegócio. Ao contrário. Deu inúmeros incentivos, subsídios, desonerações, perdões de multas etc. Os donos do capital não podem reclamar da cordialidade, nem da boa vontade do Presidente.

Lula não taxou grandes fortunas — nem ameaçou fazê-lo –, não acelerou…


FOTO: Reprodução/GShow

A primeira música do primeiro álbum da Karol Conká é profética. Coloquei a letra de “O melhor que se faz” no fim do texto. Poderia ser cantada como trilha do momento pelo qual ela e o Brasil passam agora. A postura do brasileiro, ultimamente, tem sido de condenar de forma indignada qualquer erro ou desvio de qualquer um. Como se todos nós, juízes implacáveis, fôssemos virtuosos e que a punição fosse o melhor remédio para nos mantermos no caminho da retidão moral. Pior, no caminho do que cada um de nós acredita ser essa tal de retidão moral.

No caso…


IDEIAS SIMPLES PARA UMA REFORMA POLÍTICA QUE INSTALE, FINALMENTE, A DEMOCRACIA NO PAÍS (sem precisar pegar em armas, espero)

Primeiro, olhe para essa foto e me responda se o poder não precisa mudar de cor, de gênero e de classe.

Democracia? O que é isso?

Se a Democracia é o governo do povo, isso que existe há alguns séculos por aí não merece esse nome. O governo da maioria dos países que se dizem democráticos sempre foi propriedade de um grupo minoritário, composto basicamente de homens brancos conservadores (mudar pra quê, né? ) e ricos. Sendo que esse último adjetivo…


Multitudes

Escrevi esse texto imenso para tentar dar alguma ordem nessa bagunça de três bandas e uma dupla. Tanto para mim quanto para quem quer saber o que estou fazendo. Mas o impulso que mais importou foi o de me organizar internamente. E isso me fez pensar muito a respeito de identidade, coerência, tanto pessoal quanto profissional. A gente acredita nessa narrativa iluminista de sujeito, de individualidade. Quantas vezes a gente ouve na vida que é importante se conhecer para poder vir a ser quem a gente realmente é? Depois de tanto tempo de carreira — e de um tempo ainda…


Feito em casa

Pensaram que acabou? Pois é, está longe do fim. Por isso também resolvi escrever esse texto. É uma forma de explicar para todo mundo e principalmente para mim o que está acontecendo.

Vocês devem ter percebido que o Antonio, meu filho, tem participado de todas essas histórias. No O Hipopótamo Alado ele gravou guitarras e vocais numa das faixas; cantou e gravou guitarras na faixa em homenagem ao Tom Zé; gravou guitarras e violões, e me ajudou com o arranjo do single da Lorem Ipsum; e produziu a parceria com o Henrique Portugal. Mas, paralelamente, começamos a fazer algumas outras…


Ponte Rio-BH

Outra frente aberta ano passado que acabou dando frutos na quarentena é minha parceria com o Henrique Portugal, tecladista do Skank. Em outubro do ano passado fiz uma participação no show dele em BH. Antes de ir embora, deixei uma letra com ele, para iniciar um bate-bola de composições. Um mês depois recebi um áudio com uma parte da música, o refrão. Tinha um tom bem mineiro, uma melodia muito rica sobre um piano com ascendente em Elton John. Mais um mês se passou e recebi a melodia da primeira parte. Também muito legal. Comecei a brincar com ela, mexemos…


Uma história do acaso com muitos personagens

O segundo trabalho é resultado do casamento do Paulo Miklos e da Renata Galvão em São Paulo, no fim do ano passado. Foi lá que me encontrei com o André Abujamra, que, além de ser um músico talentosíssimo e produtor maravilhoso, é um dos seres humanos mais adoráveis e divertidos que conheço. Numa roda de conversa com a Patrícia Palumbo, acabamos virando uma dupla para recriar uma canção do Tom Zé para o disco que ela está produzindo em homenagem ao artista. Escolhemos — ele escolheu, para ser exato — “Menina, amanhã de manhã”, e a dupla acabou virando um…


Produzindo na quarentena e a crise de identidade

I’m a man of contradictions

I’m a man of many moods

I contain multitudes

Bob Dylan

Do I contradict myself?

Very well then I contradict myself

(I’m large, I contain multitudes.)

Walt Whitman

Vamos às novidades de viver sob esses dias inteiramente fora de qualquer possibilidade de vida normal e sua repercussão na minha produção artística, e até na minha noção de identidade.

Primeiro a quarentena me paralisou. Eu estava começando a escrever um livro e parei. Tinha planos de ler uma bibliografia extensa sobre alguns assuntos que me interessam e não consegui manter o foco. Logo no início da…


entre as madeiras

da moldura branca

a borboleta eufórica

abana amarela

o rosto da flor vermelha

que não se toca

do topo do caule verde

só tem olhos

para o horizonte

onde uma nuvem sisuda

crispada de cinzas

se espalha constante

sem pressa sob o teto

azul solar do céu

engendrando grades de chuva

nessa manhã de outono

spoiler do mundo

em preto e branco

Leoni Siqueira

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