SOB ESSES DIAS — parte 2

Uma história do acaso com muitos personagens

O segundo trabalho é resultado do casamento do Paulo Miklos e da Renata Galvão em São Paulo, no fim do ano passado. Foi lá que me encontrei com o André Abujamra, que, além de ser um músico talentosíssimo e produtor maravilhoso, é um dos seres humanos mais adoráveis e divertidos que conheço. Numa roda de conversa com a Patrícia Palumbo, acabamos virando uma dupla para recriar uma canção do Tom Zé para o disco que ela está produzindo em homenagem ao artista. Escolhemos — ele escolheu, para ser exato — “Menina, amanhã de manhã”, e a dupla acabou virando um quarteto com a inclusão da cantora Marisa Brito e do meu filho Antonio Leoni (que cantou e tocou guitarra). Foi tudo feito no estúdio do Abu. Ele gravou, produziu, mixou, masterizou. Ele é uma força da natureza musical. Depois da gravação, no estúdio na casa dele, ainda rolou um boteco com ele comandando jogos de improviso e explicando para a gente porque harmonia não existe. Eu fiquei muito satisfeito com o resultado. Muito mesmo. Mas, até agora, o disco não andou. A maior parte dos artistas convidados ainda não entregou suas faixas, segundo a Patrícia. Espero que as coisas se resolvam em breve. A faixa ficou super dançante, misturando nordeste com rock’n’roll e pitadas de muitos outros estilos. É impressionante a capacidade do meu parceiro em não dar a mínima para fronteiras e limitações. Sou muito fã de tudo que ele faz.

O resultado dessa colaboração me deu uma vontade enorme de fazer outras coisas com o Abu. Vasculhando um livro meu em andamento — que talvez esteja pronto –, esbarrei num poema que escrevi em homenagem ao Waly Salomão, poeta e letrista maravilhoso de quem fui aluno nos anos 80. Fiquei brincando um pouco com o violão, acrescentei dois versos de Jorge Luis Borges, e me surgiu um caminho bastante diferente das coisas que já lancei na minha carreira, mas que me interessava muito. “Vem me segura qu’eu vou dar um troço”, que é também o nome do primeiro livro do Waly, ganhou um arranjo surpreendente nas mãos do meu parceiro, misturando blues com samba e guitarras pesadas. Para completar, Abu recita alguns versos do homenageado num intermezzo instrumental com voz de profeta enlouquecido. A liberdade dele com a música sempre me impressionou.

Novamente ele gravou tudo, menos algumas guitarras e um violão de nylon, tocados pelo Antonio. Eu fiquei só de canário. Foi tudo feito virtualmente. Ele gravava, mandava, a gente ouvia, dava palpites, gravava alguma coisa e devolvia a bola para ele. Mas o processo todo foi muito rápido. Com a música pronta, não sabia o que fazer com ela. Pensei em fazer mais coisas nesse estilo (que estilo é esse?), mas a falta de foco desses dias não ajudou até agora. Comecei a percorrer outras histórias e a faixa ficou adormecida nos nossos HDs, como a do Tom Zé.

Ontem acordei disposto a corrigir essa injustiça. Mandei uma mensagem para meu parceiro e sugeri lançá-la como primeiro single da nossa banda virtual. Ele gostou da ideia e no dia 14 de agosto, provavelmente, vou lançar minha segunda banda na quarentena, a Lorem Ipsum.

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